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ENTRE O MARAVILHOSO E A MATÉRIA DO REAL

Os arranjos que compõem a cena teatral contemporânea tornam cada vez mais aparentes processos criativos que conjugam uma variedade de elementos, fazendo irromper uma dramaturgia que amplia os limites do espaço cênico e, com isso, as suas possibilidades. São articulações que orientam a realização da obra a partir da correlação entre linguagens artísticas, em que o fazer teatral se dá pelo intercâmbio, compondo a dimensão do sensível.

Esta é uma das premissas que vem orientando a trajetória do grupo Foguetes Maravilha. Numa certa dramaturgia do lugar, trata-se de transpor, reinventar e subverter a ideia de papeis. E o faz a partir do diálogo com dança, circo, música, artes plásticas em associação à linguagem falada, numa criação coletiva que envolve a presença de um espectador ativo.

Não à toa Foguetes Maravilha tem sido sinônimo de teatro realizado com humor e espírito contemporâneos, ao romper de forma irreverente com as convenções e os cânones do teatro tradicional, e por brincar com a rigidez de protocolos. É no embaralhamento das funções dos artistas, na criação e na encenação que se constrói a identidade do Foguetes, assim como na relação direta de comunicação com o espectador. O entrosamento entre a ficção e a realidade também se apresenta delicadamente costurado por dramaturgias que mesclam o verossímil com o fantástico de situações pouco prováveis.

Natalia Nolli Sasso – Sesc Belenzinho


UMA TRAMA DE SORRISOS SUTIS

Felipe Rocha e Alex Cassal, com sua equipe de fazedores de teias, articulam a cena de um modo que, a meu ver, dá ao espectador a sensação de que a peça está sempre sorrindo sutilmente pra ele, de que há sempre uma porta aberta pra ele entrar nessa construção. E, para fazer parte dela, o espectador precisa se desfazer do que ele já sabe sobre como se faz e sobre como se assiste teatro. Ele precisa esquecer as regras que ele já conhece e topar jogar com outras premissas. E ele vai precisar fazer isso de novo ao longo da peça, pois novos pactos serão estabelecidos até o final do jogo.

O que me parece emblemático nesta noção de dramaturgia, e que norteia o que eu identifico como dramaturgia contemporânea, é a demanda de disponibilidade do espectador. Cada peça é uma peça. Cada dramaturgia propõe uma ideia de teatro diferente. Não importa se a peça conta uma história, inúmeras histórias, ou se ela não conta história alguma. O que importa é a cumplicidade que se estabelece com o espectador, o seu prazer de entrar no jogo.

Daniele Avila – Questão de Crítica


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